A mãe

Ser tudo e ser mãe

Quando entrei nesta aventura do blog corria o risco, e nunca o escondi da V., de encher as páginas de amor de mãe, sonos trocados, amamentação, sapatinhos de lã e brinquedos.

Sabia que isso era agora o centro do meu universo e que o próprio universo trataria de me empurrar sempre para este meu lado que além de me preencher a vida me completava o coração.

De uma forma ou de outra fui lutando contra o exagero de ser uma mãe feliz mesmo quando não dormia, ser uma mãe descontraída mesmo quando desesperava por dentro, de ser um exemplo para o meu filho quando às vezes não me apetecia ser nada.

Lutei contra a singularidade de maternidade e fui sempre mais do que “só mãe” sendo sempre mãe.

Mantive-me a esposa chata mas apaixonada, a irmã dedicada e orgulhosa, a filha amada e saudosa, a neta grata, a enfermeira responsável, a vizinha educada, a dona de casa desnorteada e continuei a adorar moda, decoração, televisão e viagens.

Acrescentei a tudo isto um pai cada vez mais babado, uns avós deliciados, uma tia e madrinha aplicada, uns bisavós sempre recordados, colegas de trabalho que oferecem carinhosamente presentes ao meu filho, filhos dos vizinhos que sobem connosco no elevador, um armário na cozinha só para as coisas do Martim, a última tendência em moda mas em tamanho mini, um quarto totalmente à imagem dele, desenhos animados e programas de música e por fim destinos que todos pudéssemos aproveitar.

No final de tudo e olhando para trás ao mesmo tempo que olho em frente, não deixei de ser nada, não deixei de fazer nada, não deixei de ter nada, passei sim a ser, fazer e ter tudo, passei a aproveitar os segundos como se fossem horas, a multiplicar os sorrisos em vez de desperdiçar lágrimas, a espalhar gargalhadas em vez de espelhar preocupações.

Não é um caminho fácil, não é um caminho traçado nem em momento algum pode ser feito ou amparado por outros, não vem em livros nem em feeds do Instagram, não há apps para ajudar nem, muitas vezes, uma mãe ou uma avó para orientar. Há barreiras que nos ajudam a não nos perdermos, há exemplos que nos vão guiando mas o resto, tudo o resto, e que é quase tudo, só nós, o nosso coração, a nossa cabeça e sobretudo a nossa intuição pode fazer.

Não sou nem quero ser um exemplo a seguir, não posso ser uma figura a imitar sequer, mas quero, e posso, ser alguém para quem olhem como uma das mil opções de fazer as coisas e com a qual podem concordar, discordar totalmente e até ignorar, podem simplesmente gostar ou odiar e melhor ainda, alguém que faça rir ou sorrir, pelo menos, com a forma como vive.

Provavelmente este texto é o prefácio de semanas que se avizinham cheias do amor de mãe, sonos trocados, amamentação, sapatinhos de lã e brinquedos com que ameacei o blog desde o início mas mais do que isso, é o resumo de uma mulher que ama ser mãe precisamente porque o é, de alma e coração, a cem por cento e vinte e quatro horas por dia, sem nunca deixar de ser, precisamente, mulher.

C.

🖤

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