A mãe

Ama ou infantário

Perguntam-me muitas vezes, [pessoas próximas porque (infelizmente ainda) não tenho esse tipo de interação na blogosfera] porque optei pela ama em vez da creche para o meu filho.

Para mim e para o meu marido foi sempre a primeira opção mas antes da decisão final visitamos infantários, conversamos com outras pessoas e lemos alguns (poucos porque há poucos) estudos sobre o assunto, artigos e até fóruns de conversas sobre o tema.

Quando decidimos ser pais e sabendo-nos a morar longe de toda a família, num apartamento em Lisboa e a trabalhar por turnos, decidimos que íamos fazer tudo que estivesse ao nosso alcance para o Martim se sentir sempre acompanhado.

A melhor decisão de todas, e já falei dela aqui no blog, foi partilhar a licença de parentalidade ao máximo e assim ficar com ele em casa até ao doze meses.

No primeiro ano de vida o vínculo afetivo com os pais, o mimo e o colo são o que de mais vantajoso existe para um bebé e as regras e os horários, por outro lado, não trazem qualquer tipo de vantagem apesar de compreendermos perfeitamente que para muitos pais não há outra opção se não regressar ao trabalho após quatro, cinco ou seis meses.

Posto isto, e não havendo mais licença para alargar nem dinheiro para esticar, começamos então a levar o Martim à ama onde sempre ficou bem disposto e criou rapidamente laços com ela e com os outros três meninos, todos mais velhos aproximadamente um ano.

Os principais pontos em que me tentam contrapor e que passo a dar o meu ponto de vista são:

Regras e socialização

Antes dos dois ou três anos as crianças não têm ainda ferramentas suficientes para desenvolverem um socialização verdadeiramente dita e as regras, apesar de serem interiorizadas, não são, de todo, um sinal de aprendizagem ou desenvolvimento social. Acreditamos que, apesar de no infantário ser claro que existem muitos meninos e outras pessoas com quem obrigatoriamente vão conviver e socializar, uma criança que tenha em casa pais e uma família estimuladora, que brinque, que vá ao parque, que conviva com primos, filhos de amigos e outras crianças, e as próprias crianças que estão na ama, não precisam de uma turma de vinte para se tornarem mais sociais. Tudo depende do estímulo que se dá em casa.

Linguagem e desenvolvimento cognitivo

Também aqui o nosso pensamento vai de encontro ao estímulo que se tem em casa, ao esforço que se faz para “obrigar” a criança a falar para mostrar o que quer e não ao comodismo que muitas vezes amas e principalmente pais e avós são acusados, de entenderem os sons ou gestos das crianças fazendo o que eles querem sem que o digam efetivamente. Tanto nós como a família e a ama o estimulamos a falar e ensinamos palavras e tantas outras coisas adequadas à fase de crescimento e entendimento em que se encontra e a verdade é que o Martim começou a falar muito cedo, diz palavras completas, muito bem ditas e muito poucas infantilizadas, assim como começa agora a identificar cores e identifica a maioria dos objetos do dia-a-dia, pessoas, comida e tudo quanto julgamos essencial.

Infeções

Neste ponto todos estão de acordo com a quantidade de doenças que as crianças contraem nas creches e é talvez apontado por muitos como o ponto mais negativo. Ora, para nós não foi de todo o que pesou mais. As infeções fazem parte e mesmo “em casa” e na ama o Martim teve viroses que curou naturalmente. Protegê-lo numa redoma de vidro não é a nossa conduta. No entanto, a ama dá-nos a segurança de ficar com ele, avaliar-lhe a febre e fazer medicação sem nos telefonar de hora a hora a dizer que temos de o ir buscar. Cria-se um laço de confiança em que não precisamos de ir a correr ao pediatra buscar um atestado para ela o deixar entrar em casa e se eu tive de ficar com ele em casa, ainda que adoentado, duas vezes neste último ano, foi muito.

Segurança

Parte-se do princípio que o infantário é o local mais seguro, inspecionado, com infra-estruturas próprias, áreas adequadas e profissionais formados. Não duvido, de todo. Mas apesar de a casa da ama do Martim ter chão de cerâmica, um terraço de cimento, quadros nas paredes, um jardim com terra e até degraus, sinto a segurança em pontos que não existem num infantário. Ter poucas crianças ao seu cargo permite ter muito mais atenção para todas e, para nós, é vantajoso ele desenvolver-se numa casa com ambiente familiar.

Horários

Os infantários portugueses, principalmente os privados que são a maior oferta, abrem todos cedo, 7h habitualmente, o que permite, aos pais que trabalham cedo, deixarem as crianças antes do trabalho. Por outro lado, têm, todos que visitamos e os que conhecemos por outros pais, um horário obrigatório de entrada com a “desculpa” de as crianças não perderem as atividades. Ora, para crianças até aos três anos, na nossa opinião e de vários pediatras de renome na nossa praça, a única atividade com que se deviam “preocupar” era brincar, brincar e brincar. Além disso, este horário rígido impede muitas vezes os pais de passarem uma manhã livre com os filhos. No meu caso foi um ponto muito importante. Não trabalho de manhã e por isso só levo o Martim à ama por volta das 12h e passamos todas as manhãs bem juntinhos. Os horários no final do dia podem ser menos flexíveis, preparados para pais que saem no máximo às 19h e o que vai além do horário estabelecido é pago a peso de ouro, à parte. Na ama o Martim fica até à hora que eu chego, cerca das 20.15h, quando o pai não o pode ir buscar mais cedo, sem pagar mais por isso nem ter de sair mais cedo do emprego.

Não posso ainda deixar de vos dizer que a opção foi facilmente tomada porque conhecíamos a ama através de uma colega que teve lá o seu filho e que por sorte esta vive a dez minutos de nossa casa. Além disso, as únicas coisas que temos de levar são fraldas e toalhitas, cozinha diariamente e com produtos caseiros para as crianças, fazia comida diferente para o Martim de acordo com os gostos dele e o tipo de alimentação que queríamos que tivesse, dá-lhe o almoço, o lanche e sempre que sou eu a ir buscá-lo dá-lhe o jantar sem nos cobrar um cêntimo a mais. Outra coisa que lhe dá muito é mimo, carinho e colo e eu sei que ele adora “(R)osinha”.

Todas as opções são válidas, as crianças são todas diferentes, as famílias são todas diferentes e, como em tudo para mim, conta a intuição e o que funciona melhor para cada um.

Pais descansados com as decisões que tomam são pais felizes e pais felizes serão com certeza filhos felizes.

C.

🖤

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Deixo-vos aqui os links para alguns dos estudos e artigos que li na altura:

Acta Pediátrica

NICHD

Artigo do Público

Artigo do Expresso

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